Já vivi o suficiente para perceber que não sou aquilo que deveria ser...
E que todas as direcções que me apontam são erros que não devia escolher!...
Fui corrompida pela sede de vingança dos homens.
Conseguiram o final ao qual se propunham.
Agora também eu serei uma qualquer, nao me interessará para onde vou nem de onde venho, vou querer saber apenas da dor que carrego.
Transporta-lá-ei vezes sem conta na travessia de um oceano, por terras por onde nunca passei.
Vou descobrir formas menos dolorosas de ultrapassar os meus sentimentos.
Serei fria e jamais existirá amor nos meus olhos.
O passado acabou.
Nunca mais estarei disposta a sofrer, mesmo sabendo que esta alma carregará para sempre um fardo demasiado pesado.
Cruzarei vezes sem conta aqueles que me humilham perante os meus sentimentos.
Jamais serei capaz de amar algo vivo, onde o sangue ou a seiva circule animando um espírito.
Serei implacável na justiça dos homens, honrarei a lei da Natureza, não respeitarei nada mais que a minha vontade.
Deixará de existir uma sociedade para mim, serei eu a minha sociedade.
Quebrar-se-ão os laços, o amor, a amizade e todos os sentimentos.
Passará a haver algo mais elevado chamado ódio.
Nunca mais serei eu!
O eu que todos pensavam conhecer adormecerá em breve, e mais ninguém será capaz de fazê-lo despertar.
Vou morrer para a sociedade que não me aceitou.
Vou vingar aquilo para que nasci, mesmo sem ser como deveria ser, mesmo sem o respeito da vida que merecia ter...
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